O que você precisa saber antes de briefar um designer
O briefing é o documento mais subestimado num projeto de identidade visual. Quando é vago, o designer trabalha com suposições. Quando é excessivamente prescritivo sobre o visual, o designer vira um executante, e o cliente fica frustrado porque o resultado "não era bem o que eu tinha na cabeça", mesmo que o arquivo entregue corresponda exatamente ao que foi descrito.
Briefings bons não descrevem o logo que o cliente quer. Descrevem o problema que o projeto precisa resolver.
O que um bom briefing precisa responder
Sobre o negócio: O que a empresa faz, exatamente? Não a descrição burocrática do CNPJ, mas a descrição real de valor. O que muda na vida ou no negócio de um cliente depois de trabalhar com você? Há quanto tempo a empresa existe? Qual é o contexto de mercado em que opera?
Sobre o posicionamento: Quem são os principais concorrentes? Como a empresa se diferencia deles: em produto, em processo, em público, em preço? Onde ela está hoje no mercado e onde quer estar em dois ou três anos?
Sobre o público: Quem é o cliente ideal? Não em termos demográficos genéricos ("empresas de médio porte"), mas em termos de comportamento, valores, expectativas e linguagem. O que esse cliente quer e o que ele teme? Como ele toma decisões de compra?
Sobre a personalidade: Se a marca fosse uma pessoa, como ela seria? Formal ou descontraída? Direta ou sofisticada? Tradicional ou contemporânea? Esses atributos não determinam o visual diretamente, mas orientam o tom que o design precisa ter.
Sobre as referências: Não "quero algo parecido com X", mas "o que eu gosto nessa marca é Y, e o que quero evitar é Z". A diferença parece sutil, mas é enorme. Referências usadas como inspiração liberam o designer para criar soluções originais. Referências usadas como modelo produzem cópias.
O que evitar num briefing
Descrições visuais prescritivas sem fundamento estratégico. "Quero um logo moderno, minimalista, com azul e dourado" não é um briefing. É uma lista de preferências pessoais que vai constranger o processo criativo sem orientá-lo. O designer vai criar dentro dessas restrições, mas não vai conseguir garantir que o resultado funcione para o negócio — porque as restrições não têm relação com o negócio.
Referências de grandes marcas fora de contexto. "Quero algo no estilo Apple" ou "quero a sofisticação da Louis Vuitton" são referências de percepção, não de design. Quase sempre o que o cliente está pedindo é a percepção que essas marcas construíram — e essa percepção não está no logo, está em décadas de consistência, investimento e experiência de produto. O que é possível entregar é um sistema visual que, aplicado com consistência, constrói percepção equivalente ao longo do tempo.
Aprovação por comitê de gostos. Quando o processo de aprovação envolve muitas pessoas com critérios diferentes, o resultado quase sempre é o design mais seguro — aquele que ofende menos, não o que funciona mais. Identidade visual deve ser avaliada por critérios estratégicos ("isso comunica o que precisamos comunicar para quem precisamos comunicar?"), não por preferências pessoais agregadas.
A pergunta mais importante do briefing
Existe uma pergunta que, quando respondida com honestidade, orienta todo o projeto: "O que precisa ser verdade sobre a percepção do seu negócio que hoje não é?"
Se hoje a empresa é percebida como pequena e quer ser percebida como profissional, o projeto tem uma direção. Se hoje é percebida como genérica e quer ser percebida como especialista, tem outra. Se está lançando e quer entrar no mercado já sendo levada a sério, tem outra ainda.
O design estratégico é a tradução de uma intenção de negócio em linguagem visual. Quanto mais clara for a intenção, mais precisa será a tradução.
Se você está considerando um projeto de identidade visual, preparei uma apresentação com a metodologia completa, os projetos desenvolvidos e os resultados entregues.
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